Donnerstag, 15. April 2021

 


Letzter Frühling 


Nimm die Forsythien tief in dich hinein

und wenn der Flieder kommt, vermisch auch diesen

mit deinem Blut und Glück und Elendsein,

dem dunklen Grund, auf den du angewiesen.


Langsame Tage. Alles überwunden.

Und fragst du nicht, ob Ende, ob Beginn,

dann tragen dich vielleicht die Stunden

noch bis zum Juni mit den Rosen hin.


Gottfried Benn




Última Primavera 


Apreende as forsítias no fundo do teu ser 

e, quando vierem os liláses, mistura também estes

com o teu sangue e felicidade e miséria,

o solo escuro de que necessitas. 


Dias lentos. Tudo superado. 

E, caso não perguntes, se fim, se princípio, 

se calhar as horas ainda te carregam

até ao junho e as rosas. 


(Trad. AA)

Samstag, 10. April 2021

Sonntag, 4. April 2021

Donnerstag, 2. April 2020

Estética

Já amei louros de finos longos cabelos escorridos
Já amei mulatos de carapinha e pele fina
Já amei sensíveis e melômanos camionistas
Já amei grisalhos dissidentes comunistas

Já amei morenos árabes mouros germânicos
Já amei viris viriatos do campo nortenho
Já amei misturas doces sem encanto algum
Diz-me tu qual a minha estética

aa
29/07/2010

Donnerstag, 6. September 2018

Samstag, 3. Dezember 2016

Samstag, 2. Mai 2015


A Voz
 
Da tua voz
o corpo
o tempo já vencido

os dedos que me
vogam
nos cabelos

e os lábios que me
roçam pela boca
nesta mansa tontura
em nunca tê-los...
 
Meu amor
que quartos na memória
não ocupamos nós
se não partimos...
 
Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nesta mansa certeza que não vens.



Maria Teresa Horta


Freitag, 1. Mai 2015




INVESTIGAÇÃO FILOLÓGICA

Um dia destes chamo-te
E gastamos um momento para fazer amor.
A ver se é verdade isso que dizia Cernuda
De que os corpos fazem um ruído muito triste
Quando se amam.

Manuel Arana
in Adolescencia dos: poemas hormonados

Certezas


Mittwoch, 21. Januar 2015

Sonntag, 18. Januar 2015

Mittwoch, 31. Dezember 2014

Não é difícil um homem apaixonar-se.
Ferir a sua paisagem,
cinzas de um passado caído, fluente.
Ao fim de vidas partilhadas pode ser que
diga “estremeci
durante anos sem te abraçar.” Agora é tarde.
Agora é tarde sobre a terra cercada.
Por planícies ficou o desespero,
a dor lilás dos homens soçobrados
na paciência nocturna.
Só depois do terror os cães ladram fielmente
aos portais da manhã, só
após o gume das vidas partilhadas.
“Passei a vida a fugir para a tua boca,” e
confundo já o teu rosto
com um qualquer.


A NOSSA VEZ


É o frio que nos tolhe ao domingo
no Inverno, quando mais rareia
a esperança. São certas fixações
da consciência, coisas que andam
pela casa à procura de um lugar

e entram clandestinas no poema.
São os envelopes da companhia
da água, a faca suja de manteiga
na toalha, esse trilho que deixamos
atrás de nós e se decifra sem esforço
nem proveito. É a espera

e a demora. São as ruas sossegadas
à hora do telejornal e os talheres
da vizinhança a retinir. É a deriva
nocturna da memória: é o medo
de termos perdido sem querer

a nossa vez.


© 2005, Rui Pires Cabral
From: Longe da Aldeia
Publisher: Averno, Lisboa, 2005






Freitag, 14. November 2014

Retrato

Uma demora lenta nas palavras
um calor bom na palma das mãos
uma maneira de gostar das pessoas e das coisas
sem tolher movimentos ou forçar as superfícies
beber aos golinhos o café a ferver
ou o whisky chocalhado com pedrinhas de gelo
viver viver roçando as coisas ao de leve
sem poupar o veludo das mãos e do corpo
sem regatear o amor à flor da pele
olhar em torno de si perdida ou esperar o verão
e saber de um saber obscuro que o calor
todo o calor é de mais dentro que vem

Rui Caeiro, Livro de Afectos,
Lisboa, edição do autor, 1992

Dienstag, 28. Oktober 2014

Sonntag, 26. Oktober 2014

Samstag, 25. Oktober 2014

Freitag, 24. Oktober 2014

Nicht müde werden



Nicht müde werden
sondern dem Wunder
leise
wie einem Vogel
die Hand hinhalten.

Hilde Domin