Freitag, 14. November 2014

Retrato

Uma demora lenta nas palavras
um calor bom na palma das mãos
uma maneira de gostar das pessoas e das coisas
sem tolher movimentos ou forçar as superfícies
beber aos golinhos o café a ferver
ou o whisky chocalhado com pedrinhas de gelo
viver viver roçando as coisas ao de leve
sem poupar o veludo das mãos e do corpo
sem regatear o amor à flor da pele
olhar em torno de si perdida ou esperar o verão
e saber de um saber obscuro que o calor
todo o calor é de mais dentro que vem

Rui Caeiro, Livro de Afectos,
Lisboa, edição do autor, 1992

Dienstag, 28. Oktober 2014

Sonntag, 26. Oktober 2014

Samstag, 25. Oktober 2014

Freitag, 24. Oktober 2014

Nicht müde werden



Nicht müde werden
sondern dem Wunder
leise
wie einem Vogel
die Hand hinhalten.

Hilde Domin

Sonntag, 12. Oktober 2014

Samstag, 4. Oktober 2014

Freitag, 3. Oktober 2014

Mittwoch, 1. Oktober 2014

Fugiste




Maria Teresa Horta

Dienstag, 30. September 2014

Sonntag, 2. Februar 2014

lunch at noo bai


tiraste-me da casca e

desapareceste

voltaste ao buraco negro

de onde saíste

assim repentinamente 


agradecer-te-ia a nova

vida que me deste,

medos espantos sensações 

abanam a alma dormente, 

se soubesse de ti


volta


Sonntag, 5. Januar 2014

“You are the books you read, the films you watch, the music you listen to, the people you meet, the dreams you have, the conversations you engage in. You are what you take from these. You are the sound of the ocean, the breath of fresh air, the brightest light and the darkest corner.

You are a collective of every experience you have had in your life. You are every single second of every single day. So drown yourself in a sea of knowledge and existence. Let the words run through your veins and let the colors fill your mind until there is nothing left to do but explode. There are no wrong answers. Inspiration is everything. Sit back, relax, and take it all in.
Now, go out and create something.”

Jac Vanek

Freitag, 22. November 2013

Donnerstag, 21. November 2013











(Stille)

...repentinamente 
no nada silencioso da rotina 
um som 
uma insinuação compassada

dispara o nó sinusal
a respiração apneia-se
a audição salta do estribo
e olha em redor do deserto 
ávida por função 

e a alma há tanto dormente 
mexe-se debaixo dos lençois 
de resignação e desesperança

mas o medo cobre-lhe os ouvidos 
e o momento passa despercebido

aa














 



Duas vezes nada
 
É assim, amiga. Encontramo-nos
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.

Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.

Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.

Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:

não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
 
 
Manuel de Freitas

Mittwoch, 20. November 2013



















e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão 
deixas viver sobre a pele uma criança de lume 
e na fria lava da noite ensinas ao corpo 
a paciência o amor o abandono das palavras 
o silêncio 
e a difícil arte da melancolia

Al Berto