Sonntag, 12. Oktober 2014
Samstag, 4. Oktober 2014
Freitag, 3. Oktober 2014
Mittwoch, 1. Oktober 2014
Dienstag, 30. September 2014
Sonntag, 2. Februar 2014
Sonntag, 5. Januar 2014
“You are the books you read, the films you watch, the music you
listen to, the people you meet, the dreams you have, the conversations
you engage in. You are what you take from these. You are the sound of
the ocean, the breath of fresh air, the brightest light and the darkest
corner.
You are a collective of every experience you have had in
your life. You are every single second of every single day. So drown
yourself in a sea of knowledge and existence. Let the words run through
your veins and let the colors fill your mind until there is nothing left
to do but explode. There are no wrong answers. Inspiration is
everything. Sit back, relax, and take it all in.
Now, go out and create something.”
Jac Vanek
Freitag, 22. November 2013
Donnerstag, 21. November 2013
(Stille)
...repentinamente
no nada silencioso da rotina
um som
uma insinuação compassada
dispara o nó sinusal
a respiração apneia-se
a audição salta do estribo
e olha em redor do deserto
ávida por função
e a alma há tanto dormente
mexe-se debaixo dos lençois
de resignação e desesperança
mas o medo cobre-lhe os ouvidos
e o momento passa despercebido
aa
Duas vezes nada
É assim, amiga. Encontramo-nos
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
Manuel de Freitas
Mittwoch, 20. November 2013
Sonntag, 4. August 2013
![]() |
| Botero |
wer kennt schon
die not eines überaus dicken mädchens?
man sagt:
nun ja - doch sie hatte ein gutes herz
stets braucht die gesellschaft
dicke mädchen mit guten herzen
in heimen spitälern kantinen
in fabriken geschäften büros
doch manchmal
möchten auch ihre herzen
verrückt und geliebt
statt immer nur gut sein
dann träumen sie liebe
in wetterleuchtenden farben
liebkosen den einsamen körper
abends traurig im bett
mit einfühlsamen händen
des zärtlich erdachten freunds
später verschließen sie
solche träume tief in ihrer enttäuschung
und versuchen so tapfer als möglich
gut und gütig zu bleiben
statt böse und bitter zu werden
doch wer kennt schon
die heimlichen kämpfe
der überaus dicken mädchen
die man zur rolle bestimmt hat
gut und selbstlos zu sein?
ach wäre ein gott
ach wäre ein gott
der fleisch wird im fleisch
eines überaus dicken mädchens
Kurt Marti
quem é que conhece
a angústia de uma rapariga extremamente gorda?
diz-se:
pois então – mas ela tinha um bom coração
constantemente a sociedade precisa de
raparigas gordas de bom coração
em lares hospitais cantinas
em fábricas lojas escritórios
mas por vezes
também os seus corações querem ser
loucos e amados
em vez de serem sempre apenas bons
então sonham amor
em cores luminosas
acariciam o corpo solitário
pela noite tristes na cama
com as mãos sensíveis
do namorado carinhosamente imaginado
mais tarde trancam
esses sonhos profundamente na sua desilusão
e tentam com toda a valentia possível
manterem-se boas e bondosas
em vez de más e amarguradas
mas quem é que conhece
as ocultas lutas
das raparigas extremamente gordas
escolhidas para o papel de
serem boas e altruístas?
ai fosse um deus
ai fosse um deus
que se tornasse carne na carne
de uma rapariga extremamente gorda
(trad.: aa)
Dienstag, 16. Juli 2013
| A day and a day |
Dois ou três cancros de que
vais sabendo «há pouco a fazer»),
o amigo maior de um amigo
brutalmente esmagado debaixo
de um camião. Não, não está a ser
propriamente um Inverno de contentamento.
O corpo já quase não responde
a tanta tristeza. E a casa, devagar,
fecha-se para dentro, implode. Parece
um coração, uma metáfora que te deixa
nos ombros um irrepetível cheiro a merda
e a sombra de um gato que vai morrer.
(«É a vida», deve pensar sem cérebro
- mais feliz - o teu companheiro
de jantar. Já lhe chamaste silêncio,
mas ninguém se chama assim,
ferindo o preto e branco da memória.
Assoa-se, pelo contrário, ao guardanapo
sujo de tinto da casa e acena-te com caspa
da sua vaga imortalidade. Na outra mesa, do
corpos sussurram o inevitável calão do amor,
Muita gente, afinal, cabe neste mundo.
Da porta do bar saem depois alguns
engates e avós calcinadas
à terceira caipirinha. Um preto de óculos
que bebeu de mais acaba espancado
no passeio, sob o fervor policial do costume.
Custa ver - a vida, outro bar vazio,
sem quadros, onde beijas a ausência,
tudo o que perdidamente desamas
e não vale a pena e se dissipa sem pressa
no copo de cicuta cuja razão desconheces.)
É possível que Joachim Bernhard Hagen
tenha sido um exímio tocador do instrumento
que às vezes preferes. É um modo de acordar,
no fundo, e de perceber na pele a inutilidade
da manhã, os gestos que não serão ainda
esse amplo terreno de morte
- que depois
circunscreves a um poema
e não voltas a dormir. Odeio-te.
Manuel de Freitas
[SIC]
poesia inédita portuguesa
Assírio & Alvim
|
Mittwoch, 29. Mai 2013
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
in Sentimento do Mundo
Sonntag, 28. April 2013
![]() |
| Night windows, Edward Hopper |
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in A CASA E O CHEIRO DOS LIVROS (Quetzal, 1996), in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012)
Montag, 18. Februar 2013
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