Sonntag, 24. Mai 2009
Dienstag, 19. Mai 2009
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...quando os Deuses criaram o Mundo dos Homens, fizeram-no à Sua imagem, perfeito, imutável e imaculado. Perplexos assistiram ao definhar em massa da humanidade, em letargia anódina. Perceberam então, na Sua infinita sabedoria, que os Homens morriam por falta de sonhos. Voltaram então a criar o Mundo à imagem dos Homens, com falhas, inconstante e injusto. E os Homens sonharam com a Felicidade.
Montag, 18. Mai 2009

Gaiola de Vidro
Como paredes
através das quais
o mundo vemos pelo ser dos outros
quem vamos conhecendo nos rodeia
multiplicando as faces da gaiola
de que se tece em volta a nossa vida.
No espaço dentro (mas que não depende
do número de faces ou distância entre elas)
nós somos quem somos: só distintos
de cada um dos outros, para quem
apenas somos a face em muitas,
pelo que em nós se torna, além do espaço,
uma visão de espelhos transparentes.
Mas o que nos distingue não existe
Jorge de Sena
Freitag, 24. April 2009
I gave you a child, and you didnt want it
Thats the most that I have to give.
I gave you a house, and you didnt want it
Now where am I supposed to live.
I gave you a tree and you did not embrace it
I gave you a nightmare and you didnt chase it
I'd give you a dream and you'd only wake from it
Now I'll never go to sleep again.
I'd give you a treasure and you'd only take from it
Look at the hole where jewlery had been
Baby oh baby
Why must you espcape from it
This love that we once called our friend.
I gave you my body and you ate aplenty
I gave you ten lives and you wasted twenty.
Now I'm standing empty, helpless and bare, without a morsel left of me to give
And you, you have vanished, into the air
The air in which I must live
Bonnie Prince Billy
Samstag, 11. April 2009
Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca
O Pai
Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda, in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage
Freitag, 10. April 2009

Parece-me que a humanidade precisa de finalmente amadurecer.
Uma criança atribui poderes divinos aos seus pais, não conhece reponsabilidade, nem dever. Mas à medida que cresce, reconhece em si os poderes dos pais. Revoltando-se inicialmente contra essa realidade, acusa os pais de impostores, recusa esses poderes, apesar de os usar, quando lhe convém, sem responsabilidade e sem dever. Com o progressivo amadurecimento, reconhece que o erro de percepção foi seu, devido à sua inexperiência, e aceita a adultícia, com os deveres e responsabilidades inerentes.
Falta darmos o último passo, como Homens e Mulheres: aceitar o nosso poder como espécie, aceitar o Bem e o Mal de que dele advém e aceitar que a transcendência está em nós.
O difícil é o abandonar da esperança, de que há-de vir alguém e salvar-nos.
aa

“There is a vitality, a life force, a quickening that is translated through you into action, and there is only one of you in all time, this expression is unique, and if you block it, it will never exist through any other medium; and be lost. The world will not have it. It is not your business to determine how good it is, not how it compares with other expression. It is your business to keep it yours clearly and directly, to keep the channel open. You do not even have to believe in yourself or your work. You have to keep open and aware directly to the urges that motivate you. Keep the channel open. No artist is pleased. There is no satisfaction whatever at any time. There is only a queer, divine dissatisfaction, a blessed unrest that keeps us marching and makes us more alive than the others.”
Martha Graham
Sonntag, 8. Februar 2009

Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma
em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca.
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou quem não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Gabriel Garcia Marquez
Samstag, 7. Februar 2009
Pledge

To love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power. Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never, to forget.
ARUNDHATI ROY
Freitag, 6. Februar 2009

"O verdadeiro e o falso são atributos da linguagem, não das coisas.
E onde não há linguagem, não há verdade nem falsidade."
Thomas Hobbes in Leviatã
Mittwoch, 4. Februar 2009
A Maldade Espiritualiza-se

Samstag, 15. November 2008
Conhecer o Absoluto

A propósito de uma discussão amigável
Do Outro ao nosso lado ou à nossa frente só vemos a sombra projectada na parede da caverna porque não o podemos ver de dentro para fora, como nos vemos a nós.
O Conhecer...
Temo que não acredito que se possa conhecer o Outro na sua íntegra. Porquê?
Em primeiro lugar era preciso que o Outro se conhecesse a si próprio profunda e absolutamente, o que é raro, porque, como bem disseste, nós somos seres mutáveis, interconectados.
Em segundo lugar, era preciso que esse conhecimento pudesse ser comunicado a mim, na sua essência. A conditio sine qua non para que isso acontecesse seria a existência da comunicação perfeita. Ora, a Humanidade sabe, desde o tempo dos mitos, que a comunicação absoluta entre dois seres é algo divino: na alegoria da Torre de Babel, Deus destrói essa possibilidade por ter inveja da unidade que esse entendimento gera - divide et impera.
E em terceiro lugar, era preciso que eu, como receptor, fosse vácuo para não modular a mensagem perfeita do meu Próximo. O esvaziamento de si é procurado por muitos místicos para alcançar o Preenchimento total pelo divino ou Eterno, como eu lhe chamo.
Procuro conhecer o Outro, mas confesso ainda me encontrar no primeiro passo - conhecer-me a mim, para me poder esvaziar de mim.
E então ser vaso para o Outro.
Freitag, 7. November 2008
Dienstag, 14. Oktober 2008

Poema
A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
Mittwoch, 9. Juli 2008
Dienstag, 1. Juli 2008

Sob a Via Láctea ao som das cigarras envolta no infinito
Sem artifícios sociais ou pseudo-necessidades
Atenta a cada respiração como se a última fosse
Lastimando o rápido passar das horas
Consciente da brevidade da vida e do cácere do hábito
Que nos tolda a liberdade com a nossa aquiescência
Luto contra o sono que me roubará à noite
Entregando-me de novo ao dia em que terei de
Voltar a prender as cordas de títere aos membros
E dançar a peça ensaiada para gáudio geral
Há-de chegar o dia em que tudo será estrelas e
Som das cigarras e águas correntes e
Tudo o que importará será
Respirar liberdade
01-07-008
aa



